24 de fev. de 2011

ALICE

Em um dia qualquer Alice no país das maravilhas anda saltitante na sua estrada com pedrinhas de brilhante, no dia 18 de Abril de 2006 Alice, mãe de três filhos, drogada e bêbada desce rolando as escadarias de um bairro da periferia levando pauladas e tiros. Eram pouco mais de cinco horas da tarde e as crianças saíam da escola, algumas brincavam na rua, em poucos minutos a rua estava cheia de pessoas olhando, umas riam outras choravam, e a grande maioria dizia:

 “É só mais uma!”

É só mais uma filha da miséria, do país da corrupção, com o coração cheio de anseios e sonhos cheio de amor e vontade de dar algo melhor para os filhos, e no meio do caminho decidiu pegar um atalho e o lobo mal a conduziu a um precipício sem fim, ou melhor, dizendo com o pior fim possível!

Tirara-lhe o bem mais precioso ela percebeu que não havia mais alternativa senão seguir em frente, pois o caminho pelo qual havia passado era extremamente ardiloso, sufocante todas as pontes que a levariam de volta haviam sido arrancadas.

Aqui está ela agora despedaçada no meio da lama e da chuva fria e todos ainda dizem, "é só mais uma”!

Muitos outros serão só mais um! Quem sabe até nossos filhos ou irmãos e então o que poderíamos dizer?

Apenas chorar e manter as palavras presas na garganta, a verdade!

E então quem poderá nos ouvir?

Tudo fugiu de controle, pois nos tornamos egocêntricos, egoístas mesquinhos perversos. Quem me dera eu pudesse gritar e dizer quem está errado, mas está difícil dizer por que fechamos os olhos.
Temos medo!
Estamos sozinhos?


Um comentário:

  1. Patricia,

    Gostaria de parabeniza-la pelo post muito bem escrito, e bem contextualizado.
    Queria dizer que fazia tempo que não sentia tanta emoção ao ler algo. Me remeteu a situações do passado e do presente, o que me fez refletir acerca do nosso cotidiano.
    Meus parabéns, continue assim...
    Faço parte do seu fã clube agora.

    Marcus Vinícius, monitor de ciências do PIBID

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